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Microplásticos: o vilão das águas e seres vivos

Os microplásticos, como o próprio nome diz, são pequenos fragmentos de plástico, geralmente medindo até 5mm e são encontrados nos oceanos e seres vivos que o habitam. Possuem diferentes formatos, sendo arredondados, quadrados, retangulares e podem ser espalhados direta ou indiretamente nas águas.

Dados da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgou que em 2017, o número de microplásticos encontrados nos mares era 500 vezes maior que a quantidade de estrelas em nossa galáxia. Segundo pesquisas intitulada Production, da Universidade da Califórnia, Universidade da Geórgia e Sea Education Association, o peso que esses materiais representam é equivalente a de 80 milhões de baleias azuis, 1 bilhão de elefantes ou 25.000 Empire State Buildings, conforme o inicio da produção de microplásticos que começou em meados dos anos 1950.

As origens desses fragmentos são infinitas, estão presentes em tecidos, cosméticos, glitter, embalagens, escovas de dentes, copos, garrafas etc. Com base em pesquisa realizada em 2019 pela Fapesp, já é possível encontrar essas lascas nas águas de torneira e engarrafadas, reservas de água doce, no ar, mel e até mesmo cerveja.  

Já as primeiras notificações da presença de microplásticos na fauna e flora foi somente em 1970, quando a pós-doutora em Oceonografia Jacqueline Santos Silva Cavalcanti examinou algumas espécies e constatou a presença dos fragmentos nos animais.

Os mais atingidos

Os seres humanos também são atingidos pelo microplástico, mas são os animais marinhos que mais sofrem com isso. Tartarugas marinhas, peixes, tubarões, baleias, aves, polvos, camarões. Todos os animais que vivem no mar são atingidos e prejudicados. O ciclo chega até nós, pois, ao consumirmos esses animais, estamos ingerindo esses pedaços de plástico.

Os números dos resultados das pesquisas referentes ao microplástico é revoltante e assustador. Em um artigo de 2020, foi constatado que em cada grão de areia do fundo do mar, existem 14 partículas de microplásticos. Os dados são do Microplastic Pollution in Deep-Sea Sediments From the Great Australian Bight de Barrett et al. (2020).

 Os animais que acabam consumindo esses fragmentos podem morrer por asfixia, ou quando isso não ocorre, por perfuração nos órgãos internos e bloqueio do trato intestinal. Outro exemplo dos danos causados é a intoxicação, pois os plásticos não absorvem poluentes orgânicos, isso faz com que ele não se misture com a água e assim, torna-se fonte de contaminação.

Conforme a revista Galileu em matéria de 2019, dados de um relatório de análise publicado na Scientific Reports, apontam que animais marinhos que foram encontrados mortos  na costa da Grã-Bretanha, mostra que todos os animais apresentavam microplástico no organismo, sendo de 50 bichos de 10 espécies de golfinhos, focas e baleias.

Microplástico no dia a dia

A revista Galileu divulgou em 2020, dados referentes a microplásticos encontrados em placentas de quatro mulheres.  Esses dados foram publicados na edição de janeiro de 2021 do periódico Environment International, que aborda o possível dano ao sistema imunológico dos bebês, devido aos microplásticos. Os fragmentos estavam presentes do lado externo e interno da placenta, e até  membrana, que é onde o feto se desenvolve.

Outro estudo sobre a temática, realizado pelo Environmental Research, apontou que já é possível encontrar microplásticos em alimentos, como frutas e vegetais. Os alimentos que apresentaram fragmentos de microplásticos foram: maças, cenouras, abacaxis, couve e repolho, destacando-se as maças e cenouras por estarem mais contaminadas.

Dica bônus
Para entender mais sobre o impacto e reações do microplástico, indicamos o documentário Oceanos de Plástico. Lançado em 2016 pela Netflix, o documentário conta  sobre o impacto ambiental causado nos oceanos e mares pelos plásticos.

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