Consumo Consciente

Empreender no upcycling: entenda quais são os principais desafios das marcas de impacto

Quem acompanha o universo das marcas sustentáveis provavelmente sentiu o impacto nos últimos anos. É bem comum marcas que amamos, com propósito ambiental, social e afetivo, com produções autorais, anunciarem o encerramento de suas atividades.

Na ciclou, acreditamos que olhar para esses movimentos de mercado não é apenas lamentar o fim de ciclos importantes, mas compreender os desafios reais que os empreendedores e artesãos enfrentam para manter viva a engrenagem da economia circular.

Neste artigo, vamos analisar esse mercado, entender as principais dificuldades enfrentadas por quem decide transformar o descarte em design e como a ciclou tem se posicionado para encontrar uma solução nesse ecossistema.


O alerta do mercado: marcas que deixaram um legado

No dia 13 de maio, a marca paulistana Uhnika, conhecida por sua alfaiataria inclusiva e pelo uso exclusivo de tecidos biodegradáveis com desperdício zero, anunciou o fechamento da loja. Pouco tempo antes, a grife sustentável Regressa tomou o mesmo caminho. No final do ano passado, foi a vez da Dobra, marca gaúcha que desafiou o sistema de e-commerce por 8 anos com produtos artesanais sob demanda, encerrar sua operação de produtos e serviços.

O encerramento de atividades tão emblemáticas acende um alerta vermelho importante no setor. Se a cultura do consumo consciente e o desejo por marcas com propósito estão crescendo entre os consumidores, torna-se urgente entender por que projetos tão consolidados e com grande apreço do público encontram tantas barreiras para se sustentarem a longo prazo.


Os desafios do setor e a concorrência com o descartável

Empreender em upcycling e moda circular exige ir contra a corrente de toda a indústria tradicional.

Para os pequenos empreendedores e artesãos independentes, as dificuldades começam na falta de caixa e na enorme complexidade produtiva. Além disso, a produção artesanal e sob demanda é meticulosa, pois não existe padronização quando se trabalha com resíduos, tornando cada nova peça um desafio único.

Outra barreira invisível está na falta de suporte em gestão e vendas. Grande parte dos artesãos possui um talento técnico brilhante para a transformação de materiais, mas enfrenta dificuldades na hora de divulgar o trabalho e gerenciar outras frentes do seu negócio. Afinal, como toda empresa, ninguém consegue fazer tudo sozinho, ou é bom em tudo.

O cenário se torna ainda mais complexo quando analisamos a concorrência com o mercado de fast fashion e de acessórios descartáveis, que cresce em um ritmo agressivo baseado em preços ilusoriamente baixos. Manter um negócio de upcycling de pé significa competir também com uma indústria que foca no imediatismo. Muitas vezes, o valor de uma peça que levou horas de trabalho manual para ressignificar um material acaba esbarrando na barreira cultural do menor preço e do consumo rápido.


Fomentando o ecossistema: o papel da ciclou

É diante dessa realidade desafiadora que a ciclou se posiciona não apenas como uma marca que vende produtos que foram transformados, mas também como uma empresa que sustenta e fomenta negócios no ecossistema, que busca trazer mais visibilidade para o upcycling.

Nós entendemos que, para vencer essas barreiras e se consolidar, o artesão e também outras marcas upcycling, não podem carregar o peso de toda a gestão do negócio sozinho.

A nossa missão é atuar justamente como a ponte que resolve as principais dificuldades desse setor: logística, coleta de material, vendas, encontrar parceiros e assim vai. Ao intermediar, por exemplo, a conexão entre o cliente final ou grandes empresas e a nossa rede de artesãos qualificados, nós assumimos toda a complexidade da gestão, do atendimento, da negociação, da logística, da tecnologia e contribuímos também para a divulgação do trabalho, e muitas vezes trazemos mais mãos para ajudar na produção também.

Esse modelo de atuação nos permite gerar uma demanda qualificada e justa, criando um fluxo contínuo de trabalho para que os profissionais foquem exclusivamente no que fazem de melhor, que é a arte da transformação. Na outra ponta, conseguimos gerar produção com propósito ao levar o reaproveitamento de resíduos para o universo da moda transformando materiais ociosos de empresas novamente em ativos corporativos.


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